Em ‘Esculturas com Vento’, em cartaz em São Paulo, obras se torcem e tombam, afetadas pela crise climática e pelo vento
O céu é de um negro profundo. Tons azulados e vermelhos quebram o fundo escuro, trespassado por linhas que ora evidenciam, ora deslocam o horizonte. À frente, vegetais dourados serpenteiam. “Tempestade com Quiabos (Turner)” é uma das obras de “Esculturas com Vento”, nova exposição de Erika Verzutti que entra em cartaz neste sábado (31), no galpão da galeria Fortes D’Aloia & Gabriel, na zona oeste de São Paulo.
Na mostra, esculturas e relevos de parede oscilam e se inclinam, evocando instabilidade física e emocional. Verzutti, que já expôs do Masp ao Centre Pompidou, na França, dialoga com a tradição da representação artística do clima e do tempo, de Leonardo da Vinci a William Turner, mas incorporando elementos e materiais comuns ao seu trabalho: frutas, legumes, ovos e jornais.
“Acho que todas as esculturas têm vontade própria”, afirma a artista. “Dessa vez, elas aparecem alteradas pelo vento. Não trago o vento literal, mas uma hipótese —se batesse um vento que levasse tudo embora, como essas coisas reagiriam?”
30 Mai 2025
por: Alex Avelino
Folha de São Paulo