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Ana Cláudia Almeida
- Tadáskía
Trabalhos em duas galerias de São Paulo, entre o figurativo e o abstrato, propõem jogo entre o aparente e o oculto
“Sabe quando você está com um amigo próximo e ele te conta algo muito pessoal que muda sua perspectiva de mundo? Isso é o que quero trazer”, diz à Folha a artista Ana Cláudia Almeida.
Quando o vento passa pela ampla galeria, suas gravuras em tecido cru esvoaçam. O material com transparência permite que vejamos o resquício de seu desenho – num meio-termo entre o figurativo e o abstrato.
Na parede ao lado, estão pendurados desenhos de sua amiga, a artista trans Tadáskia.
Conhecida pelo seu estilo lúdico e criativo, ela traz, a esta mostra, obras inéditas com tons mais sombrios e traços errantes. “Meu interesse é pela transformação”, diz.
“Nunca me vi tão aproximada de uma certa iluminação obscura”.
Em “The spider, her pray, and the ladybug in the desert” — a aranha, sua presa e a joaninha no deserto —, ela conta a história de uma das aparições que testemunhou.
Uma joaninha pousa entre quatro aranhas que avançam para comê-la. O inseto então alça voo e deixa para trás suas antagonistas. “Ladybug tears — lágrimas de joaninha”, mais caótico e irrequieto, traz outra camada à história.
Além da amizade, as duas artistas têm aspectos biográficos em comum. São ambas mulheres negras, oriundas da zona oeste do Rio de Janeiro e estudaram arte na Escola Parque Lage. Produzem entre o Brasil e os Estados Unidos — Almeida finaliza seu mestrado na Universidade de Yale, e Tadáskia expôs no Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMA, no ano passado.
20 Jan 2025
por: Lara Paiva
Folha de São Paulo