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Um caipira nos Alpes e a grande invasão brasileira por todo sul da França

Um caipira nos Alpes e a grande invasão brasileira por todo sul da França

José Antônio da Silva, em Grenoble, e Lucas Arruda e Marina Rheingantz, em Nîmes, desafiam noções clássicas da paisagem

 

É um caipira nos Alpes. Um século depois que Oswald de Andrade descreveu a então mulher Tarsila do Amaral como a “caipirinha vestida por Poiret”, lembrando o estilista preferido da modernista em suas festas em Paris, a França conhece José Antônio da Silva, outro artista do interior paulista redescoberto numa onda de arte naïf, primitiva, outsider, visionária, artista excluído do cânone, em suma, que varre o planeta.

Distante um TGV de três horas da capital francesa, Grenoble recebe agora, no quadro do ano do Brasil na França, cerca de 50 telas do artista que pintou as plantações de café e algodão paulistas, queimadas na mata, os rebanhos sob tempestade, alegorias religiosas e naturezas-mortas em chave surrealista, quase abstrata.

No Museu de Grenoble, uma construção pós-modernista rodeada pelos Alpes franceses, o diálogo das telas de Silva com figuras-chave do modernismo europeu é assombroso. Suas pinturas com pontos de fuga dramáticos, lavouras a perder de vista, construídas com toques firmes de cor, lembram o pontilhismo que marcou as experimentações cromáticas de artistas como Georges Seurat e Paul Signac, também no acervo ali. Lembram, mas não perdem para elas.

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22 Mai 2025

por: Silas Martí

Folha de São Paulo

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